Painel do Mundo

o blog do
MUNDO BOTONISTA

  Por Julio Simi Neto (31/07/2026)

David Lynch

Caros amigos e fiéis leitores da coluna “Muito Além das Mesas”, neste final de agosto, temos para vocês “Diretores”!! O escolhido foi um diretor que, antes dele, durante e depois dele, ninguém o superou ou igualou em roteiros do gênero de um suspense sobrenatural e surreal do além da imaginação. Eu estou falando do único e genial David Lynch (1946 – 2025). 

David Lynch nasceu na cidade de Missoula, no estado de Montana, nos Estados Unidos. Vindo de uma família de classe média, Lynch passou a infância viajando pelo país ao lado do seu pai, que trabalhava para o governo. Ao terminar o colégio, ele foi estudar pintura na Academia de Belas Artes na Pensilvânia, estudo esse que sua família reprovou. Foi desse estudo que despertou em Lynch o cinema e, assim, não demorou a produzir alguns curtas-metragens.

Já adulto, ao se mudar para Los Angeles, Lynch começa a dirigir e criar seu estilo próprio em seus roteiros. O surrealismo era o destaque, com enredos insólitos e personagens bizarros. O seu primeiro longa neste estilo foi o estranho “Eraserhead” (1977), que se tornou um clássico “cult” segundo a crítica. Com isso, ele foi contratado para dirigir “O Homem Elefante” (1980), escrito por Christopher De Vore e Eric Bergen, sendo que o próprio Lynch teve uma pequena participação no roteiro.

Foi a partir desse filme que Lynch iniciou sua carreira de sucesso, pois seus trabalhos eram diferentes de tudo que até então o cinema apresentava. Ao assinar contrato com a Di Laurentis Entertainment Group, ele resolve mudar o seu gênero ao dirigir “Duna” (1984), do romance de Frank Herbert, o épico da ficção, mas o resultado no cinema foi um fracasso. Decepcionado, Lynch promete seguir em seu estilo do subconsciente e se recupera ao escrever e dirigir o aclamado  “Veludo Azul” (1986). Este filmaço tem minha resenha no arquivo no “Muito Além das Mesas”; basta clicar no texto sobre o nome do filme.

E assim, Lynch se consagra definitivamente no seu surrealismo. Logo, ele faz parceria com o amigo, diretor e roteirista Mark Frost. Ambos criam o que até hoje é considerada uma das melhores séries já produzidas para a TV americana, intitulada “Twin Peaks” (1990-1992, 2017), com a marcante trilha sonora da personagem Laura Palmer (Sheryl Lee), composta pelo competente maestro Ângelo Badalamenti (1937 – 2022).

Já reconhecido pela crítica, Lynch dirigiu vários filmes que contaram com a presença de astros importantes e que se tornaram impactantes para um público seleto e apreciador dos seus diferentes roteiros. Sendo assim, eis alguns dos seus importantes filmes, tais como: “Coração Selvagem” (1990), “A Estrada Perdida” (1997), “Uma História Real” (1999), “Cidade dos Sonhos” (2001) e “Império dos Sonhos” (2006). Este foi seu último filme, pois Lynch passou então a investir em palestras sobre meditação transcendental, tendo realizado duas delas no Brasil, em 2008 e 2010, quando divulgou seu livrinho intitulado “Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação” (2006). 

Na sua vida pessoal, David Lynch se casou quatro vezes: Peggy Lynch (1967 – 1974), Mary Fisk (1977 – 1987), Mary Sweeney (2006 – 2007) e Emily Stofle (2009 – 2025). Desses relacionamentos, Lynch teve três filhos: Jennifer Lynch, Austin Jack Lynch e Riley Lynch.

Prêmios e indicações não faltaram em sua carreira; os principais são: indicação ao Oscar de Melhor Direção em “Cidade dos Sonhos”. Sem falar dos Emmy, Cesar, BAFTA, Globo de Ouro, Critics Choice Award, Palma de Ouro, entre outros. Lynch morreu em casa aos 78 anos, vítima de enfisema pulmonar, ao lado de amigos, familiares e da sua última esposa, Emily Stofle.

Este é David Lynch, que sempre dizia: “O mundo é estranho”. Querendo conhecer os filmes deste diretor imaginativo, vá até a Amazon Prime e assista aos ótimos “Twin Peaks” ou “Veludo Azul”. Já na MUBI tem o “Eraserhead”, ou no streaming da Imovision você pode ver “A Estrada Perdida” e, por fim, caso queira alugar, tem “Coração Selvagem” e “Cidade dos Sonhos”. Enfim, é ingresso garantido!

Biblioteca de "Muito Além das Mesas"
Reler publicações anteriores de Julio Simi Neto.

Formado em comunicação social na faculdade Cásper Libero, talentoso escritor de obras ficcionais (duas das quais já publicadas) e cinéfilo desde garoto, Julio Simi Neto, mais conhecido como Julinho, é nascido em São Paulo no ano de 1956 e, como todos os botonistas, pratica o jogo de botão desde pequeno, época em que vivia na Vila do Matarazzo no bairro do Belenzinho. Foi um dos fundadores da "Villa Botão", uma das mais famosas garagens do futmesa paulista que perdurou de 2002 a 2008. Foi nesta época que Simi idealizou o "Vai Pro Gol", um dos primeiros veículos de comunicação via Internet - uma espécie de boletim semanal que, apesar de focar no futebol de mesa, incluía curiosidades e dicas culturais.
....................................
simi@mundobotonista.com.br
(011) 99987-8225
Posts anteriores 
Por Eduardo Lezcano 29 de julho de 2026
De toque em toque
Por Quinho Zuccato 28 de julho de 2026
1 Toquinho +
Por Sergio Travassos 27 de julho de 2026
Pluriverso
Por José Jorge Farah Neto 25 de julho de 2026
Em algum lugar do passado
Mostrar mais