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MUNDO BOTONISTA

Por Mario Auguto D'Amore (01/04/2026)

Mestres

“Raboni!”. Esta foi a reação de surpresa que teve Maria ao se deparar com o Cristo ressurreto. A expressão aramaica significa Mestre. No caso dela, um mestre que a ensinou um modo de vida melhor. Um mestre não está nem aí para títulos ou coroas, mas em ver que seu paciente, amigável e carinhoso trabalho rendeu o fruto de um novo ser humano, mais capaz de ser e de fazer para o bem comum. Mas quem são ou quem foram os nossos mestres do futmesa? 

Vou apresentar alguns deles na minha vida no esporte querido (se eu abrir os outros campos da vida, daria um épico de alguns volumes). Esqueçam da ordem em que eles aparecem. Eles não se interessam pela ordem. Faço isso como uma celebração e para motivar suas memórias, caro leitor. Também quero, de alguma forma, deixar registrado para que futuras gerações também façam o mesmo (assim como Maria teve perpetuado o fato na história).

Desde o início da minha caminhada no futebol de botão (final dos anos 70), meu grande mestre não poderia deixar de ser meu pai, que, além de comprar meus primeiros times (aqueles de banca de jornal, que vinham num saquinho com os goleiros com alavancas atrás), fez a primeira mesa caseira para que substituíssemos o “Estrelão” e começássemos a trilhar os veios da regra 12 Toques (o que veio bem mais tarde). Meu pai, entre outras coisas, nos ensinou a jogar num piso de taco (no chão mesmo), do que me recordo como se fosse hoje.

No final dos anos 1990, fui apresentado a um mestre de nome Lorival de Lima. Fui até a fabriqueta dele, nos fundos de sua casa, ali na Lins de Vasconcelos, no Cambuci, em São Paulo. Meu primeiro time de acrílico saiu das mãos deste saudoso senhor, a quem tantos aqui presentes encomendaram seus times naquela época. Simples, gentil, paciente (eu era um menino terminando o ensino médio). Um mestre da arte!

Dando um salto no tempo, no início de 2018, conheci alguns caras que posso chamar de mestres. Foram eles que ressuscitaram o prazer de jogar futebol de botão em mim. Vou começar pelo Julião, o nosso querido “presida” do Grêmio Butantã de Futebol de Mesa (GB). O Julio me abriu as portas da garagem com uma camaradagem e um carinho especiais. Vendeu-me o que foi meu time de reentrada no esporte (um azulão, que hoje virou chaveiro), a preço de irmão para irmão, e sempre apoiou meu retorno.


Incluo aqui o Olino, outro “presida”, só que do TMJ Futmesa, que igualmente recebeu com o maior carinho lá nos torneios da agremiação de Pirituba e foi um dos que jogaram contra na minha reestreia e me ensinou o jogo inteiro, praticamente, abdicando do seu próprio jogo.

Tem também o Aldir, a quem chamo de “Embaixador”, um apaixonado pelo esporte, um cara que grita GOL sem pudor em meio às disputas na garagem do Butantã, contagiando a galera, mas destilando elegância e um jeito superparticular de conectar amigos e abraçar novos praticantes.

Meu querido Baby (vulgo Paulo, atualmente no Círculo Militar – ninguém o conhece como Paulo, creio eu), que me aplicou uma tremenda goleada em nossa primeira peleja, mas que me deu várias dicas, sugestões e até broncas por eu estar, àquela época, jogando com um time inapropriado para o bom desempenho nos “gramados”. Um dos grandes conhecedores do futebol histórico, de um modo geral, e grande colecionador também.

Meu amigo André, lá do GB, que é um exímio confeccionador de troféus, que fez os álbuns de figurinhas do GB, que fez dupla comigo no campeonato interno que levamos na padaria e que compartilha sempre coisas boas, grande goleador. O colorado Nilo (atualmente, no São Paulo), com quem sempre fiz jogos equilibrados e que sempre indicava jogadas e táticas para a minha sempre “mãe” defesa e, principalmente, sobre cadenciar o jogo, posicionar o corpo na mesa, etc.

Finalizo a lista (que é muito maior que essa) com o meu irmão Marco, o Butantã, com quem já dividi na vida até cueca “com freada” (só não dividimos namoradas), o cara que desejava, em todas as épocas e momentos, meu retorno às mesas. Aprendo com ele em cada troca de mensagens, em cada conversa, em cada partida. Ele me acompanhou em tudo o que relatei nos primeiros parágrafos.

Enfim, a relação seria maior, mas o espaço não é (a coluna trará, futuramente, outros grandes amigos). É grande o plantel de conexões quando se faz tudo com amor. Na vida, assim como no futmesa, temos que honrar todos aqueles que investiram, nem que fossem cinco minutinhos, no nosso crescimento, fazendo com que nos apaixonássemos e nos apaixonemos mais ainda por tudo o que nos cerca.


E sobre seus mestres, amigo leitor? Faço, agora, portanto, um convite para que você também preste uma homenagem a eles (seus mestres) nos comentários deste artigo.

Para as próximas colunas me comprometo a manter a essência de 2021, 2022 e 2023, compartilhando dicas, visitas a estádios, jogos, museus, camisas, curiosidades e... futebol de botão, a razão do portal.


Qualquer sugestão ou comentário, fiquem à vontade em mandar mensagens.

Um grande abraço! Nos reencontraremos no próximo mês. Tocando e puxando a corda!

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O paulistano Mario Augusto D'Amore trabalha com registro de animais na ABCCH e é um apaixonado pelo futebol de mesa desde os seis anos de idade quando conheceu os times do modelo tampa. Adepto da regra 12 toques, Mário sempre dá um jeito de contribuir com o futebol de mesa - mesmo quando lhe falta tempo jogar - nem que seja criando as tabelas para os torneios do Grêmio Butantã (time do qual faz parte).


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mario@mundobotonista.com.br

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