Painel do Mundo
Por Luke de Held (09/05/2026)
Os fora de série

Em todas as atividades da vida, há aqueles que se destacam por serem mais talentosos, esforçados, eficientes ou produtivos. Nos esportes, nas artes, na ciência, em todos os ramos do agir humano, sempre houve indivíduos que primaram por um desempenho acima da média, os chamados "fora de série", diferenciados ou "fora da curva". No futebol de mesa temos aí os atletas de ponta que primam pela regularidade e constância em alto nível: "Quinho, Nando, Robertinho, Ednilson, Pedro Neto, Léo Gonçalves, Pedro Prando, Victor Heremann, Tico Mico e tantos outros.
Na música temos também aqueles que fazem do sublime algo a mais: guitarristas, vocalistas, bateristas, superbandas, compositores, artistas que escreveram a trilha sonora da vida de milhões de pessoas. Nesse texto, vou estabelecer um paralelo entre os foras de série da música e do futebol de mesa na 12 Toques, e tenho certeza de que muitos vão se surpreender com os paralelos estabelecidos. Então vamos lá:
Quinho Zuccato é, para mim, o Paul McCartney do futebol de mesa. Completo como Paul, que canta, compõe e domina com maestria todos os instrumentos, Quinho é um jogador quase imbatível. Estratégico, com um arsenal de soluções para todas as intercorrências do jogo, Quinho emula nas mesas o que McCartney realiza nos palcos. Talento, emoção e performances antológicas e inesquecíveis.
Robertinho é John Lennon. Robertinho é o maior campeão em torneios nacionais de todos os tempos. Técnico, frio e com um nível de concentração absurdo, é o John Lennon das mesas. Lennon era visceral nas letras e composições. Fundou os Beatles e, na minha opinião, é dono da mais bela voz do rock'n'roll em todos os tempos. Lennon tocava guitarra, piano, baixo e bateria; era assim como Paul, completo e dono de algumas das mais belas composições dos Beatles. Um diferencial em relação a Paul é que Lennon era, a meu ver, mais imprevisível e criativo nas letras e combinação de acordes e mais obstinado em suas convicções, assim como Robertinho é um obstinado na busca, sempre, pela vitória.
Nando é o Jimi Hendrix das mesas. Dono de uma técnica ímpar, traz para as mesas uma carga de emoção e feeling comparável ao maior guitarrista de todos os tempos. Nando teve que aprender as duras lições da derrota para refinar seu jogo até abrir as portas do Olimpo da 12 Toques, escrevendo seu nome no panteão de campeões, assim como Hendrix, que por muito tempo lapidou seu som e técnica exuberantes em bares esfumaçados de Nova York até ser descoberto por Chas Chandler e ser levado à Inglaterra para, definitivamente, conquistar o mundo.
Ednilson Gaffo, o Boi, é o Brian May (guitarrista do Queen) do futebol de mesa. Dono de um estilo elegante, preciso e eficiente, é um mestre zen do botonismo. Assim como Brian May com sua guitarra elegante, cativante e de timbre inconfundível, é impossível não admirar o estilo desse craque das mesas.
Victor Heremann é o BB King das mesas. O jogador que vem dos primórdios do futebol de mesa no Paraná, com quem todos aqui no estado aprenderam. É elegante, estratégico, eficiente e diz muito com um estilo de jogo aparentemente simples, mas cuja execução técnica é altamente complexa, assim como o vibrato de indicador e a voz poderosa do Rei do Blues.
Roger e Léo Gonçalves — eu não poderia deixar de citar esses dois irmãos supertalentosos —, ambos tiveram uma performance maravilhosa no Campeonato Brasileiro de 2026. Léo ficou em terceiro lugar, sendo eliminado pelo critério da melhor campanha, exatamente no jogo com o campeão Nando. Roger, por sua vez, cravou a sétima colocação. Os paranaenses têm seu equivalente nos irmãos Liam e Noel Gallagher, do Oasis. Ambos, Léo e Roger, praticam um jogo denso tecnicamente, eficiente e cativante, tal e qual os hits contagiantes dos irmãos de Manchester.
Por último, não posso deixar de estabelecer um paralelo entre a rivalidade histórica que divide a preferência dos roqueiros entre Beatles e Rolling Stones e a rivalidade que se estabeleceu entre as equipes do Palmeiras e do Vasco da Gama. Os atletas do Palmeiras seriam os Beatles, os do Vasco da Gama, os Stones, ou vice-versa, e nós, os espectadores, fascinados com o espetáculo que esses botonistas geniais nos proporcionam. E aí, gostou? Faltou alguém? Mande sua opinião e estabeleça também seu paralelo.
Para embalar a leitura, recomendamos essa
playlist que segue. Percebam como cada música se encaixa no estilo dos jogadores citados. Forte abraço e até a próxima.
Biblioteca de "MB Rock Club"
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Luke de Held, 57 anos, nascido em Londrina é botonista, guitarrista apaixonado por Rock n Roll, Blues e Beatles. Promotor de Justiça no Paraná, pai do Álamo, da Sofia e da Ana, marido da Vivi, filho da Dona Leonice e do Seu Lucilio. Este paranaense, aparixonado pelos esportes, praticou vários deles, sempre com excelente desempenho e muito foco: Faixa preta de Jiu-jitsu, foi medalhista de bronze no Mundial CBJJE 2009 e campeão Sul-Americano Master 2012 da modalidade. No atletismo sagrou-se tetracampeão paranaense, vice campeão Brasileiro, recordista juvenil e Jr. dos 400m rasos nos anos 80. Torcedor ferrenho do Londrina Esporte Clube, tem como meta ser campeão brasileiro de futebol de mesa, o esporte ao qual se dedica atualmente.
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