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MUNDO BOTONISTA

Por Thiago Sthepan (06/10/2026)

Quando o perdão entra em campo

“O primeiro a pedir desculpas é o mais corajoso. O primeiro a perdoar é o mais forte. E o primeiro a esquecer é o mais feliz.” Tem autoria desconhecida esse pensamento, que pode até parecer clichê, de tão conhecido e repetido. Mas essa ideia vai ser o fio condutor do quarto texto que escrevo para o Mundo Botonista. E o motivo é simples: estamos precisando aprender a pedir desculpas e perdoar no futebol de mesa, pelo menos da regra 3 Toques. Nosso movimento é composto de pessoas que se conhecem há décadas, e é até compreensível que, em algum momento, um amigo possa nos magoar ou, ao contrário, acabarmos por pisar na bola com pessoas que sempre estiveram ao nosso lado.

Não faz muito tempo, tive um desentendimento muito sério com um amigo de longa data. Foi durante a pandemia, em um grupo de WhatsApp, e ficamos muito tempo sem nos falar. Nós nos encontrávamos nas competições, mas era um para cada lado. Até que um dia, momentos antes de uma fase decisiva do Torneio Rio-Minas, fui até ele e disse, em poucas palavras, que aquela situação não fazia sentido. Ficamos de conversar, mas nem foi preciso. Pouco a pouco a admiração mútua foi voltando e, hoje, estamos caminhando para ter a amizade que já tivemos. Foi bom para mim, foi bom para ele, tenho certeza, e foi bom para o futebol de mesa como modalidade esportiva que tem na amizade um dos seus principais pilares. Ocorre que a situação descrita – e real – vejo acontecer com outras pessoas. Amigos que passaram a adolescência juntos praticando futebol de mesa hoje não se falam ou evitam um contato mais próximo. Entendo que palavras, gestos e atitudes machucam, mas é necessário buscar caminhos para superar, logicamente respeitando os limites de cada um. É preciso seguir adiante. E isso ficou muito evidente para mim não faz muito tempo...

Desde a infância, sofro com fortes dores de cabeça. E já passava dos 30 anos quando recebi o diagnóstico. O que durante muitos anos eu achava que seria enxaqueca, era, na verdade, cefaleia em salvas. Uma dor descrita na literatura médica como excruciante e incapacitante. Tive várias crises até chegar ao assertivo diagnóstico, quando iniciei um tratamento que melhorou muito a minha qualidade de vida, pois deixou os episódios cada vez mais raros e distantes. Até final de março deste ano, quando, após mais de seis anos, aquela dor característica começou a me atormentar, tendo pico na segunda quinzena de maio e fim no início de junho. Um longo período de comprimidos, injeções e oxigênio. 

Entre uma salva e outra, fui passando a vida a limpo para tentar identificar algum gatilho emocional que pudesse ter desencadeado a nova crise. E tudo que eu pudesse resolver, fui tentando endereçar para tirar do espírito o peso das mágoas e rancores. Encontrei tempo para andar descalço na terra, dar um mergulho na minha pequena piscina numa tarde de terça-feira, li bastante e, quando distraí, as dores passaram. Tudo bem que a simples mudança de estação pode ter desencadeado os episódios de dores, indicava um artigo que li, mas ter tentado resolver questões ainda não resolvidas me ajudou muito. 

É por isso que deixo um convite aos botonistas que, por um motivo ou por outro, perderam a amizade com alguém. Reflita e considere se realmente não é possível buscar uma reconciliação. Pese bem: pondere se os momentos de alegria, as conquistas e tudo que passaram juntos não é bem maior do que a barreira que os separa. Porque, no fim, há “partidas e competições” que nem o tempo é capaz de apagar da memória, assim como há amizades que merecem ser resgatadas antes que o relógio toque.

Biblioteca de "Estrat3gia"
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Thiago Stephan

Mineiro de Juiz de Fora, Thiago Stephan cresceu com a palheta na mão esquerda. Ganhou o primeiro time antes dos cinco anos e nunca mais parou de jogar. Aos 12, conheceu a regra 3 Toques e, desde então, participa de competições na sua terra natal e em outras cidades do Brasil. É formado em Comunicação Social pela UFJF e, atuando como assessor de imprensa, já são quase 20 anos divulgando o esporte para os veículos de comunicação. Entusiasta do futebol de mesa, sempre buscou contribuir para o desenvolvimento da modalidade nos clubes por onde passou. Aqui no portal, o cronista é  responsável para coluna Estrat3gia, espaço dedicado à regra 3 Toques no Mundo Boonista.

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t_stephan@mundobotonista.com.br
(32) 98420-2021

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