Painel do Mundo
Por Thiago Sthepan (09/03/2026)
Trivela divina

O mundo é uma bola e gira como se o criador tivesse feito uma batida de três dedos ao colocá-lo no espaço. E após mais de 35 voltas ao redor do sol desde que iniciei na regra 3 Toques, surge o convite para escrever ao Mundo Botonista, motivo de grande satisfação. A história que trago para compartilhar é pautada pelo amor ao futebol de mesa, pela amizade e superação das dificuldades, e faz jus ao nome deste conceituado veículo de comunicação. Teve início em Teresópolis e Duque de Caxias, ambas no Rio de Janeiro, passa pelo Centro-Oeste brasileiro e viveu momentos especiais nos Estados Unidos, com o capítulo mais recente sendo escrito na cidade de Matias Barbosa, em Minas Gerais.
Quando conheci Ailson Brites, o Jucão, em Terê (Teresópolis para os leigos), ainda na década de 1990, a apresentação veio acompanhada de uma significativa informação: faixa preta de Jiu-Jitsu. Um gentleman nas mesas, dotado de excelente técnica, que fazia tudo o que estava ao seu alcance para que o futebol de mesa se desenvolvesse na Região Serrana. A atuação como atleta e professor de Jiu-Jitsu o levou a seguir para Brasília, onde continuou praticando futebol de mesa. Posteriormente, já no início do século XXI, surgiu a oportunidade de ensinar a arte suave nos Estados Unidos, onde encontrou a realização profissional. Mas ele também levou na bagagem a paixão antiga pelo futebol de mesa e encontrou maneiras para jogar por lá.
Foi também na última década do século passado que conheci Diogo Amorim, filho do saudoso Antônio Amorim, carinhosamente chamado de “Tuninho”, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do futebol de mesa em Duque de Caxias. Diogo foi para os Estados Unidos primeiro que Jucão e, assim como o amigo, no momento em que estava no auge como botonista, chegou a ser semifinalista do Campeonato Brasileiro Individual.
A história de ambos se cruza em solo norte-americano, mais precisamente na Liga de Futebol de Botão de Nova Jersey, cujas partidas são realizadas na Team Jucão Academy, o que me fez lembrar da vez em que dormi no tatame da academia do faixa preta quando ele ainda vivia em sua cidade natal. Diogo conta que desde 2010 procurava pessoas para jogar na região de Massachusetts. Chegou a fazer uma mesa com o material que encontrou. Nas conversas com o pai, descobriu que Jucão estava jogando 12 Toques em Nova Jersey. Mas a distância desanimava: mais de quatro horas de viagem de carro.
Foi após o falecimento de Tuninho que a saudade de jogar ficou ainda mais forte. Nesta época, conheceu outro botonista, o paulista Wellington, que morava distante 50 minutos da sua casa. E na conversa inicial entre os dois, Jucão fora mencionado pelo novo amigo. Tendo companhia para pegar a estrada para uma viagem ainda maior, já que passava na cidade onde Wellington morava antes de se dirigir para o sul, Diogo não demorou para ir até Nova Jersey, onde encontrou “uma galera nota mil. E o Jucão é sensacional. A galera de Caxias sempre admirou muito o pessoal de Teresópolis.” Foram alguns campeonatos na Team Jucão Academy, com os amigos chegando a decidir as competições mais de uma vez. Pouco depois, Diogo tomou a decisão de retornar ao Brasil, passando a residir em Goiânia.
No final de novembro de 2025, Jucão e Diogo voltaram a se encontrar, dessa vez em Matias Barbosa (MG), sede do 39º Campeonato Brasileiro Individual de Futebol de Mesa da regra 3 Toques, quando demorei a reconhecer Diogo, que não via há mais de 25 anos, e reencontrei Jucão, que tem feito o possível para estar presente nos campeonatos, apesar da longa distância, após receber um convite, em um grupo de mensagens, para integrar a equipe da Associação Desportiva Matias Barbosa (ADMB). Ambos tiveram viagens difíceis até chegar à cidade mineira. Diogo enfrentou mais de mil quilômetros de ônibus, enquanto Jucão encontrou uma brecha entre os compromissos profissionais e aproveitou que estava no sul do Estados Unidos para “esticar” a viagem, demonstrando a disposição de sempre. Encontrar Jucão em Matias Barbosa “foi fenomenal”, apesar do cansaço, conta Diogo.
A agradável conversa com ambos trouxe à lembrança situações e amigos que pareciam esquecidos no passado, mas que uma simples frase é capaz de trazer à tona com muita intensidade. Reforçou também o sentimento de que a modalidade ainda tem muita força, que reside principalmente nas amizades e no prazer de jogar esse estratégico esporte. A 3 Toques é como a vontade de palhetar dessa dupla: temos que driblar as dificuldades para continuar praticando a modalidade que amamos. Se não somos muitos, somos para sempre. E enquanto a folha seca divina ainda fizer o globo girar, haverá jogo e seguiremos com a missão de mostrar ao mundo a beleza do futebol de mesa.
Biblioteca de "Estrat3gia"
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Mineiro de Juiz de Fora, Thiago Stephan cresceu com a palheta na mão esquerda. Ganhou o primeiro time antes dos cinco anos e nunca mais parou de jogar. Aos 12, conheceu a regra 3 Toques e, desde então, participa de competições na sua terra natal e em outras cidades do Brasil. É formado em Comunicação Social pela UFJF e, atuando como assessor de imprensa, já são quase 20 anos divulgando o esporte para os veículos de comunicação. Entusiasta do futebol de mesa, sempre buscou contribuir para o desenvolvimento da modalidade nos clubes por onde passou. Aqui no portal, o cronista é responsável para coluna Estrat3gia, espaço dedicado à regra 3 Toques no Mundo Boonista.
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