Painel do Mundo
Por Erismar Gomes (14/03/2025)
A polêmica da vez, o tema mais debatido nos grupos de WhatsApp de botonistas, sim, meus amigos, é ela, que está sempre em destaque, capturando a atenção nas mesas onde desfila: a companheira e rival número um de todos nós, a famosa bolinha. Conhecida principalmente pelos atletas do Nordeste, uma nova bolinha surge no cenário — a Classika — criada pelo nosso amigo Paulo Roberto Pinto, dono da PRP Botões e fabricante de times de altíssima qualidade. Em 2024, Paulo começou a produzir esse material, que logo foi adotado em diversos estados do Nordeste, especialmente em Pernambuco. A bolinha recebeu muitos elogios dos botonistas da região. A PRP, então, enviou suas bolinhas para diversos clubes em todo o país, permitindo que atletas que seguem a regra dos 12 Toques realizassem testes e avaliações.
No final do ano passado, a Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), em uma consulta democrática, colocou em votação a escolha da bolinha que deveria ser adotada em suas competições: se continuaríamos com a MF, bolinha já conhecida por todos e no circuito desde 2014, ou se adotaríamos a Clássika para 2025. Na votação, por ampla maioria (16x2), a Clássika foi a vencedora, sendo oficializada pela entidade como a bolinha a ser utilizada na temporada 2025. Inegavelmente, foi um marco no nosso esporte ter uma opção a mais deste material de jogo, pois sempre tivemos um monopólio neste mercado e ficávamos na dependência de um único fabricante. Tal situação não era vista como adequada, pois muitas coisas podem acontecer, inclusive a decisão do fabricante de não mais fornecer o material, o que teria um impacto de grandes proporções no esporte.
Com a entrega das novas bolinhas para o início da temporada de 2025, aconteceram protestos generalizados por parte dos botonistas, criticando principalmente o quesito chute ao gol, pois muitos consideram que a bolinha é inconstante e, por isso, não conseguem mais um padrão nas finalizações. O fabricante vem respondendo às críticas e reconheceu que esse primeiro lote teve problemas. Afirma que está trocando todas as bolas já fornecidas por um novo lote, corrigindo os problemas, inclusive aqueles de condução, algo que não acontecia com o material que foi anteriormente testado e que levou à votação expressiva por sua adoção.
Acredito que ainda seja precipitado condenar a nova bolinha, pois ainda estamos em um período de adaptação. Jogávamos com outro material há mais de 10 anos; assim, não podemos "queimar" uma nova opção sumariamente. Desestimular o investimento e a fabricação de novas bolas só vai estagnar a evolução do esporte e fazer-nos dependentes eternos de uma única opção. Suponhamos que existisse somente um fabricante de times; por exemplo, acredito que, com o passar das competições, naturalmente, todo mundo iria encontrar o "caminho das pedras". Acho conveniente, neste momento, pagar um pequeno preço em prol do esporte, ou as coisas somente servem se "eu estiver ganhando", ou se "eu estiver fazendo muitos gols", ou se "eu for campeão"?
Devemos enaltecer a iniciativa da CBFM de colocar a escolha da bolinha em votação, algo que, a meu ver, não seria necessário, tendo em vista que essa prerrogativa é dela. Em qualquer outro esporte, não são os jogadores que escolhem o material a ser adotado. Esse processo foi importante para que tivéssemos concorrência, como aquela que temos na fabricação de times. Talvez um segundo passo seja, futuramente, a liberação para que cada clube adote a bola que quiser — entre as homologadas — nas competições por equipes. A própria CBFM poderia adotar uma bolinha no Brasileiro individual e outra na Copa do Brasil, ou no Brasileiro de equipes, por exemplo; assim, teríamos uma plena concorrência, com os fabricantes disputando mercado, com qualidade e preço justo. Deixo aqui minha sugestão. E vocês, o que acham?
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O corretor de seguros Erismar Ferreira Gomes, é paulista, torcedor do Santos F.C. um apaixonado pelo futebol de mesa e no video-game. No botonismo tem um rastro indelével tanto no espectro da gestão (tendo sido diretor de departamentos em clubes importantes como Corinthians e Maria Zélia) e presidente da Federação Paulista; quanto na qualidade de atleta - onde ostenta inúmeros títulos, incluindo um bicampeonato Brasileiro por equipes e o título Brasileiro individual em 2005 (ambos na categoria másters). Erismar é uma testemunha privilegiada da história e evolução da regra 12 toques pois não apenas a viu nascer mas participou ativamente da sua história.
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