Painel do Mundo
Por Ary Peter (05/04/2026)
Cordel para a Páscoa

Há dois mil anos morria o Cristo Nazareno
O rei dos reis que por aqui esteve
O mestre dos mestres e seu amor pleno
Após uma passagem breve
Hoje muitos o substituem na Páscoa por um coelho
Ovos de chocolates diversos
Não ouvimos seu divino conselho
E não paramos de pecar pelos excessos
No princípio era o verbo
O filho do homem ficou conhecido como bom pastor
O fizeram passar por um momento acerbo
E nem o sinédrio acreditou que era o Salvador
O levaram numa Via Crucis
Definiram 14 estações
Não deram nem a chance de sursis
Só faltaram o jogar na cova dos leões
Então vem junto irmão botonista
Vamos acompanhar com fé
Com aquele olhar realista
O que fez o homem de Nazaré
Na primeira estação o condenam a morte
Condenação que lega ao botonista um ensino
Não condenemos os erros de nossos colegas de esporte
Já erramos nas mesas e por vários outros caminhos

Na segunda, Jesus carrega a cruz às costas
Nós carregamos apenas pequenos fardos
Não é que queremos que o outro atleta que jogue de mãos postas
Porém que não distribuamos em jogo os mais afiados dardos
Na terceira, Jesus cai pela primeira vez
E nós que vivemos caindo em erros?
Sejamos amáveis com os adversários, tenhamos altivez
Não nos creiamos infalíveis com tanto aferro
Na quarta, Jesus encontra sua mãe
O modelo e guia da humanidade em seu amor filial
Sejamos todos amorosos, não se acanhe
Competir de forma lúdica, limpa e divertida é o principal
Na quinta, Simão de Cirene o ajuda
Auxiliar é simples e todos podemos fazer
Ganhar é bom, mas para vencer de verdade a coisa muda
A rivalidade tem que ser apenas nas mesas, sem a ninguém desmerecer
Na sexta, Jesus tem seu rosto limpo por Verônica
Quanto sentimento puro vemos ali
O jogo limpo tem que ser a tônica
E sorrirá de todos os esportes o mais Tupi / Guarani
Na sétima, Jesus cai pela vez segunda
Vivemos para aprender, desaprender e reaprender
O amor do sagrado mestre nunca afunda
Não nos deixemos naufragar em mágoas, sua luz deixemos acender
Já na oitava, Jesus consola de Jerusalém as mulheres
Consolar que ser consolado
No jogo, use todas as técnicas que souberes
Mas na vida e com nossos irmãos sejamos sempre um aliado
Na nona estação, Jesus cai pela vez terceira
E nós, há dois milênios, buscamos entender tuas palavras como uma linda sinfonia
Somos os atletas da maior paixão da mesa brasileira
E dos homens Jesus continua sendo a maior alegria
Na décima, Jesus é despojado de suas vestes
Gostaria de te dizer divino amigo que estou aqui
Olhe por nós, simples jogadores terrestres
E nos despoje de todo sentimento ruim
Aqui já são onze estações
Nessa o mestre (lá no Gólgota) é pregado na cruz
Foi colocado no meio de dois ladrões
Para que nós não sintamos um fel mais amargo que mastruz
Na décima segunda, o Messias morre
Mas todos ficamos com seu exemplo a nos iluminar
Sua luz é um guia que a todo instante nos socorre
No futebol de mesa também podemos o imitar
Décima terceira e da cruz Jesus é retirado
O mais humilde e bom dos homens faleceu
Seu corpo muito machucado
Mas quem confia sabe que ele nunca pereceu

Na última, Jesus é sepultado
Acharam que o cordeiro de deus se apagaria de nossa memória
Ele passou a ser ainda mais amado
E lá se vão dois mil anos de história
Essas mal traçadas linhas são uma singela homenagem
Ao mestre com carinho
Queria passar essa mensagem
E dizer que o amo verdadeiramente e nunca estou sozinho
Nem ia falar de mim
Acho que não mereço
Mas todo cordel meu termina assim
Se fiz um diferente desconheço
Não sou feito Judas um traidor
Apenas o pereba mais conhecido do Nordeste
Se tu já viu um jogo meu conhece o horror
Não tem cristão que diga que eu jogue que preste
Conto sempre que sou o pior
Acho que todos já sabem
Mesmo se jogasse com traje a rigor
Eu só faria barbeiragem
Não faço gol nem com goleiro do adversário deitado
Não ganho nem par ou ímpar muito menos gamão
Se eu levar poucos gols considero jogo empatado
Se meu goleiro não jogar, faz diferença não
Em verdade, o Ungido nos disse que éramos de pouca fé
Que ela nem era do tamanho de um grão de mostarda
Acreditemos nele e não deixemos que nosso esporte seja mais uma nota de rodapé
Para vir ocupar o lugar que merece, e que tenhamos garbo e galharda.
Biblioteca de "Botão com cordel"
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Formado em administração de empresas, também mestre e doutor em administração, Ary Peter nasceu na capital pernambucana em 13/06/1970, em plena campanha do tricampeonato mundial do Brasil no México. Joga as modalidades de Dadinho (a preferida entre as regras federadas), 12 toques e 1 toque, além de vidrilha e leva leva. Mora hoje em Natal onde joga pela Magic Academia de Futebol de Mesa. Está escrevendo um livro sobre Futebol de mesa / botão a partir da ótica do botonista..
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arypeter@mundobotonista.com.br




































