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MUNDO BOTONISTA

  Por Julio Simi Neto (04/04/2025)

Era uma vez no Oeste

Caros e fiéis leitores da coluna “Muito Além das Mesas,” antes de apresentar a dica de cinema do mês de abril, vou primeiro prestar minha justa homenagem ao memorável ator americano que nos deixou aos 95 anos. Estou falando do mestre Gene Hackman, com 80 filmes em sua carreira, iniciando em 1961. Hackman, conquistou dois Oscar, três Globos de Ouro, três BAFTA, um Prêmio Cecil B. DeMille, entre outros. Para quem ainda não conhece o seu trabalho, a Netflix colocou em sua plataforma o ótimo filme intitulado “O Júri” (2003) de Gary Fleder, que vale a pena conferir.

Pois bem, homenagem à parte, agora vou para a dica do mês: O gênero western para mim é até hoje o mais genial no tocante ao seu roteiro. Nas décadas dos anos 40 até 70, o western de Hollywood levou às telas memoráveis filmes que ainda servem de inspiração para jovens cineastas e roteiristas na elaboração de seus dramas.  À medida que os anos avançam, a estatura artística do diretor italiano de Sergio Leone (1929 – 1989), se impõe com mais nitidez. Este cineasta dominou, como poucos, a arte de transformar a paisagem árida do Velho Oeste em um palco de beleza brutal diante de homens endurecidos à procura de justiça, dinheiro ou domínio territorial.

Para isso, eu volto bem lá trás, para destacar um dos maiores clássicos deste gênero que agora chega com grata surpresa na plataforma Netflix. Estou falando da eterna obra “Era uma Vez no Oeste” (1968) de Sergio Leone, roteirizado por ele próprio em parceria com seu compatriota e xará Sergio Donatti.

O que vemos no filme é um frio assassino de nome Frank (o genial Henry Fonda 1905 – 1982), que lidera um bando de “sicários” que são pagos pelo ganancioso dono de uma ferrovia de nome Morton (Gabrielle Ferzetti), para liquidar uma família que tem como pai um senhor chamado Frank McBain (Frank Wolff), pois ele comprou um espaço de terras no deserto para construir uma cidade, onde a ferrovia em breve irá passar, o que o deixará rico, com isso atrapalhando os planos de Morton (Ferzetti). 

A bela esposa de Frank McBain (Wolff), a jovem Jill McBain (Claudia Cardinale), chega de Nova Orleans para se juntar à família porém, eles já estão todos mortos. A cidade próxima ao rancho do falecido Frank McBain está revoltada por causa da chacina, então vai à caça do possível culpado, o foragido da justiça, Cheyenne (ótimo Jason Robards 1922 – 2000). Em meio a essa situação, surge um homem misterioso (o memorável Charles Bronson 1921 – 2003) e de pouca fala. Ele trás consigo uma velha sede de vingança, além de ser conhecido apenas pela alcunha de “Gaita” , pelo fato dele estar sempre tocando esse instrumento.

Das varias cenas antológicas que esse filme possui, uma delas está no início, quase sem diálogos, quando num close uma mosca fica passeando no rosto de um vilão. A outra cena está no final, diante do duelo entre “Gaita” (Bronson) e Frank (Fonda), pois além das tomadas de cena com seus closes, o filme mostra o fim da era dos duelos. Ao lado dos duelistas, estão centenas de homens trabalhando na construção da ferrovia, mostrando que o progresso está chegando, dando assim ao homem uma ocupação. É dessa produção de alto nível, cenário impecável, figurino na medida certa, fotografia primorosa, roteiro espetacular, atuações soberbas, além de uma direção segura, onde tudo isso está sob o comando de uma trilha sonora inesquecível, composta pelo competente maestro  italiano Ennio Morricone (1928 – 2020). 

“Era uma Vez no Oeste” daqui a pouco completará 60 anos da sua estreia, mas até hoje é um filme moderno, atual e todas as idades podem assistir sem restrições. Este filme ainda é discutido entre críticos e professores de cinema como um dos 50 melhores filmes já realizados no século XX. A meu ver, dificilmente voltaremos a ver, no cinema atual, uma produção com tamaho profissionalismo e inteligência.

Enfim, o recado está dado. O clássico “Era uma vez no oeste” do saudoso Sergio Leone, está disponível para você, sua família ou amigos na Netflix. Caso já tenha assistido, vale a pena ver de novo.

Era uma vez no Oeste
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone
Título original: Once Upon a Time in the West
Lançamento: 1968
Produção: Bino Cicogna e Fulvio Morsella

Distribuição: Euro International Film (ITA) e Paramount Pictures (EUA)

Duração:  (165 minutos)

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Reler publicações anteriores de Julio Simi Neto.

Formado em comunicação social na faculdade Cásper Libero, talentoso escritor de obras ficcionais (duas das quais já publicadas) e cinéfilo desde garoto, Julio Simi Neto, mais conhecido como Julinho, é nascido em São Paulo no ano de 1956 e, como todos os botonistas, pratica o jogo de botão desde pequeno, época em que vivia na Vila do Matarazzo no bairro do Belenzinho. Foi um dos fundadores da "Villa Botão", uma das mais famosas garagens do futmesa paulista que perdurou de 2002 a 2008. Foi nesta época que Simi idealizou o "Vai Pro Gol", um dos primeiros veículos de comunicação via Internet - uma espécie de boletim semanal que, apesar de focar no futebol de mesa, incluía curiosidades e dicas culturais.
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