Painel do Mundo

Filha da Dona Rosinha e do Seu Chaguinha (in memorian), Daniele Moreira é professora de Educação Física da rede de ensino do município de Horizonte, no Ceará. Atua como formadora junto aos professores de Educação Física da rede municipal, articula ações e projetos dentro da educação física escolar. Esta cearense arretada é admiradora do futebol de mesa e usa esta bancada para relatar a incrível história de um projeto que ensinou futebol de mesa nas escolas e que transformou a rotina da pequena cidade de Horizonte, no Ceará, impactando crianças e professores de maneira extraordinária.

Há esperança no Horizonte
Por Daniele Moreira (27/02/2026)
Meu nome é Daniele Moreira, sou professora de Educação Física da rede municipal de Horizonte (CE), que fica a cerca de 40 km de Fortaleza. Com aproximadamente 75 mil habitantes, Horizonte é aquela cidade com ar de município do interior, mas que vem crescendo ao longo dos anos. Com o sentimento de manter viva a nostalgia, as brincadeiras entre gerações, resgatar o velho futebol de botão e fortalecer a prática entre crianças e adolescentes, além, claro, de trazer melhorias específicas como o aprimoramento da coordenação motora fina, raciocínio, concentração e diversos outros benefícios, nasceu uma ideia, dentro de nossas 21 escolas de Ensino Fundamental, exatamente nos anos finais (estudantes do 6º ao 9º ano).

Nossa intenção foi trazer de volta as práticas e brincadeiras por meio das aulas de educação física, vivenciar e levar para essa nova geração o que é o futebol de mesa/botão. A Secretaria Municipal de Educação de Horizonte (SMEH) fez a aquisição de mesas menores e kits para as atividades. Houve uma grande parceria com a Federação de Futebol de Mesa do Ceará (FUTMECE). O primeiro contato foi com João Menezes (um entusiasta da modalidade que conheceu o futebol de mesa atual e a FUTMECE) e que me apresentou aos integrantes da federação: Marcos Paulo (Presidente) e Mário Wilson (Diretor). Desenhamos uma proposta para que houvesse o resgate do jogo, desde os professores de Educação Física da rede municipal de Horizonte até chegar aos nossos estudantes (à época tínhamos na matrícula oficial 4.334 estudantes entre 12 a 15 anos). A ideia era levar a prática do futebol de botão para toda a rede municipal, desde os locais mais acessíveis até os mais distantes, zona urbana e rural e comunidades quilombolas.

O primeiro passo foi conseguir conquistar os nossos professores de Educação Física (temos em nossa rede cerca de 30 professores). Para tanto, iniciamos um processo de capacitação com formações específicas junto à FUTMECE. Nesse momento, eles voltaram a ser crianças… Ah… foi lindo ver nossos professores falando como eles jogavam na infância, com que material eles improvisaram as partidas e com quem eles brincavam. Cada um a seu modo, com sua técnica. Surgiu então a necessidade de criar um material específico que desse suporte a esse trabalho em sala de aula. Começamos então a construir o Manual de Regras do Futebol de Mesa de Horizonte (para o professor) e o Manual simplificado (para o estudante), dando suporte aos mestres para que eles pudessem desenvolver suas aulas teóricas e práticas. Confesso que tivemos certa dificuldade para conseguir um material de referência existente no mercado, pois não havia nada ainda publicado. Fizemos então a primeira formação com os professores que retornaram às escolas e começaram a fazer as práticas do futebol de mesa. Criamos um link para esclarecer dúvidas e, de acordo com regras da prática oficial, começarmos a adaptar o relgulamento para uma possível competição municipal direcionada a crianças e adolescentes. Com as devolutivas, o material começou a ser formatado e usado para referência dos professores.

Decidimos realizar o I Campeonato Escolar de Futebol de Botão de Horizonte. Entre o início da ideia e a competição passaram-se seis meses (agosto a dezembro de 2025). Articulamos parcerias entre a SMEH, FUTMECE, Faculdade Metropolitana de Horizonte (por meio da participação de estudantes do curso de Educação Física) para realizar o evento. Preparamos e articulamos logística de transporte (estudantes de todas as localidades e comunidade quilombola puderam participar), alimentação (lanche e almoço) para todos os participantes em um dia todo de jogos, premiação com medalhas e troféus, camisas do evento.
O projeto do Campeonato foi apresentado à Secretária de Educação, Gezenira Rodrigues, que deu todo apoio e suporte. Através do projeto, ela percebeu o futebol de mesa como uma ferramenta de desenvolvimento integral dos estudantes. Assim, cada escola fazia suas seletivas internas e trouxe para o dia do campeonato quatro representantes. Entre as turmas de 6º e 7º ano, um menino e uma menina, e entre 8º e 9º ano, também um menino e uma menina. A representação feminina foi muito especial, pois havia uma dificuldade da prática entre as meninas. No total, foram 21 escolas e 84 estudantes, 30 professores, equipe da SMEH, faculdade e FUTMECE, que trouxe um grande reforço presencial com os grandes atletas do nosso estado. O Sr. Manoel Moura e Guilherme Moura estiveram presentes durante todo o dia do evento e trocaram vivências com os professores e estudantes. Quinho Zuccato, Robertinho, Klerton Santana mandaram vídeos para os nossos estudantes falando da importância do futebol de mesa e desejando um bom evento para eles.
Foi um momento muito especial ver as crianças conhecendo a geração que joga o futebol de mesa. No dia primeiro de dezembro de 2025, realizamos o I Campeonato de Futebol de Botão de Horizonte, com um formato que envolvesse e conquistasse o coração de todos os participantes. Pela manhã, realizamos uma competição por equipes que envolveu todas as escolas em grupos, e à tarde, os confrontos individuais. Foi uma vivência única, gratificante e de sucesso para todos que vivenciaram. E eu só tenho a agradecer a cada parceiro que acredita que projetos assim podem levar o futebol de mesa para cada canto do nosso país, do mais fácil ao difícil acesso, a meninos e meninas, crianças com deficiência, jovens, adultos de uma forma tão envolvente e dinâmica. Trabalho dá, mas uma coisa eu vos digo: É possível!
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