Painel do Mundo

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MUNDO BOTONISTA

Por Carlos Cláudio Castro (14/08/2026)

O homem que compete

A memória afetiva dos jogos de botões é muito familiar a quem viveu a infância nos anos 60/70/80. Muito difícil achar alguém que não tenha participado dos emocionantes campeonatos dos amigos de rua. Eu mesmo me envolvi com diversos “Campeonatos Mundiais da Rua São José”, em minha cidade natal.

Eu, particularmente, tinha uma sofrida preocupação de um dia, naturalmente, chegar o momento em que não mais jogaria botão. Não imaginava como poderia deixar de pegar as “capas” de relógios presenteadas por meu tio relojoeiro, participantes das “peneiradas”, escolhas rigorosas dos “atletas” que comporiam meu valoroso time.

Mas seria inevitável o desinteresse; a vida adulta e suas atribuições não permitiriam a continuidade de tal atividade lúdica. Eis que surge diante dos meus olhos, em uma descompromissada navegação pela internet, um jogo, agora esporte, fascinante: o Futebol de Mesa. Foi um sonho que se concretizou! 

Não esqueço a primeira vez em que estive em um torneio nacional da modalidade. Encantei-me com o nível de organização, competidores uniformizados, quiosques vendendo materiais do jogo, o empenho dos atletas, as comemorações… Conheci muita gente, fiz amigos de primeira vista!

Confesso que, em uma primeira percepção, duas coisas me chamaram a atenção. Em primeiro lugar, a oficialização da outrora brincadeira trazia de volta o prazer de infância que me havia sido tão caro. Em segundo lugar, uma preocupação: algo tão levado a sério assim não tiraria a conotação lúdica, tão importante para mim? 

O homem competitivo é um sinal dos tempos. Desempenho, resultados, superação! Esse é o mundo moderno, em que tais princípios norteiam todas as nuances humanas, do trabalho à vida pessoal. Disso não escapam as atividades esportivas, sejam os clubes do coração, as práticas diversas, por lazer ou profissionais. 

Nosso amado futebol de botão parece ter assimilado esse sinal dos tempos. Presenciamos com tristeza, muitas vezes, a gana desmedida por vitórias, a belicosidade das disputas, o detestável “jeitinho” para levar vantagem, a burla das regras… Estamos perdendo a essência fundamental do espírito de criança que embasa o futebol de botão?

Hoje é um esporte regulamentado, o que muito nos orgulha e mantém a chama acesa para a vida inteira, um alento para quem, como eu, achava ser apenas uma gostosa nostalgia da tenra idade. Mais que nunca, temos o compromisso de não transformá-lo em algo tão mesquinho e cruento, como tantas agruras que já temos da vida adulta cotidiana!

Convoco os amigos leitores a uma reflexão cuidadosa sobre o tema. 

Grande abraço e até a próxima!

Referências:

REGRA BOLA 12 TOQUES

REGRAS OFICIAIS EDIÇÃO JANEIRO 2025.

O cearense Carlos Cláudio Alencar de Castro é médico neonatologista, adepto do lema “a arte torna a vida suportável” e fanático torcedor do "Vozão" (Ceará Sporting Club), do qual é membro efetivo do conselho deliberativo. Carlos é um estudioso do Futebol de Mesa, ex-membro do Comitê Gestor das Regras 12 Toques da CBFM e responsável direto por levar a modalidade 12 toques para o estado do Ceará.

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carlos_claudio@mundobotonista.com.br

(085) 99158-6280

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