Painel do Mundo
Por Alysson Cardinali (13/10/2026)
Um Brasileiro "maquiavélico": que vença o melhor

Brayner Wertmuller, Ronald Neri, Victor Praça, Alexandre Aires, Paulo Quartarone, Alex Lage, Daniel Marques, Almo de Paula, Regis Martins, Allan Carvalho, Gianluca Tocci... No melhor estilo ‘Onze homens e um segredo’, esses 11 craques – talentosos ao extremo – conhecem muito bem o código para fazer parte do seleto grupo de campeões brasileiros. Não se trata de um ‘Código Da Vinci’, clássico que mistura investigação criminal e teorias da conspiração, mas o suspense que os envolve já está no ar. Afinal, a 17ª edição da principal competição individual (regra dadinho) do país terá a presença recorde de 144 atletas de 15 estados, nos dias 17 e 18 de outubro, em Recife (PE). Todos em busca de um ‘final feliz’, embora o ‘Oscar’ do futebol de mesa sempre fique nas mãos de apenas um protagonista.
Entre os 11 campeões, somente Praça, Brayner, Ronald, Quartarone e Gianluca estarão nas mesas da capital pernambucana. Com isso, aumenta a chance de um novo ator principal surgir na cena do Campeonato Brasileiro de 2026. Candidatos não faltam: os tricolores Bandini e JJ; o rubro-negro Bruno Romar; os americanos José Augusto e João Antônio; os cadetes Colla e Gatto; o cruzmaltino Adriano, o esmeraldino Léo Azeredo... Para não ficar apenas nos clubes do Rio de Janeiro (a Meca do dadinho no país), Rafael Castilho e Roberto Capela (ambos do Desterro-SC) podem surpreender, bem como algum outro botonista que, inspirado, tenha apresentações épicas – dignas de um Marlon Brando, Al Pacino, Robert De Niro ou Jack Nicholson – na sede do Vila Futebol de Mesa, no bairro de Boa Viagem.
Brincadeiras à parte – mesmo correndo o risco de cometer alguma injustiça nos meus (meros) palpites –, é tarefa hercúlea avaliar tantos jogadores, que compõem o que há de melhor no futebol de mesa nacional na atualidade. Afinal, abordar a qualidade e o aprimoramento técnico dessas feras é (quase) chover no molhado. Porém, é preciso muito mais do que treinamento intensivo para se tornar um campeão brasileiro: corpo são e mente sã também se tornam aspectos fundamentais, que fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso. Não sou ‘expert’ em psicologia, mas recorri ao filósofo e historiador Nicolau Maquiavel para tentar entender o coração e a mente de quem faz a diferença no nosso querido esporte.
É fato que, ao longo de uma partida, nem só de palhetadas precisas e dadinho no filó se constroem as vitórias. O estado de espírito, o ânimo e a confiança precisam estar em alta. Bem como a atenção e o jogo de cintura para lidar com imprevistos ou com aquele adversário que gosta de levar vantagem em tudo e quer “apitar” a partida. Fazer uma pausa antes de reagir pode ser uma bela opção. Afinal, a primeira reação costuma ser emocional. A segunda pode ser estratégica. Esse intervalo faz toda a diferença. Antes de responder a qualquer contratempo, espere. Antes de confrontar, pense. Antes de decidir, deixe a emoção esfriar.
O silêncio também é uma boa arma – controle o que você revela. Controle emocional não é deixar de sentir, mas saber escolher o que vai ser mostrado. Sentimento é informação privada. Não o entregue de graça. É possível estar com raiva e não explodir, decepcionado, sem desmoronar. Nunca deixe o adversário escolher o seu comportamento. Se um possível mau comportamento do outro muda o seu estado de ânimo, ele continua no controle. Mantenha seus padrões. Mude o acesso. Isso é poder. Além disso, fique difícil de ler. Se o adversário conhece não só o seu estilo de jogo, mas sabe mexer com o seu emocional (te deixa com raiva ou inseguro), ele sabe onde apertar. Mas não vire alguém sem emoção. Vire alguém menos previsível. Fique calmo, fale menos, observe mais. Quem não é lido com facilidade não é manipulado com facilidade. Deixe o silêncio fazer parte do trabalho, da tática, da busca incessante pela jogada perfeita.
Compostura é fundamental. Se o adversário levou uma jogada na “mão grande” e seu rosto muda; se você levou um gol na saída de bola, sua postura e sua respiração se alteram, este adversário sabe que te atingiu. Com isso, ele sente que vai ganhar o jogo. Isso pesa. Sustente sua presença. Desacelere. Respire. Faça as jogadas com clareza. A calma protege o equilíbrio. Não lute todas as batalhas. Algumas discussões são armadilhas. Alguns conflitos existem só para roubar seu tempo. Poder não é reagir a tudo. É decidir o que merece a sua reação. Para lidar com isso, quebre o roteiro esperado. A maioria dos oponentes deseja raiva, medo, revide. Entregue calma. Quando você recusa a reação esperada, a pessoa perde o ritmo. Quem controla o roteiro geralmente controla o ambiente. Não deixe outra pessoa escrever o seu. Sinta tudo. Obedeça quase nada. Dá para sentir raiva e agir com calma. Sentir medo e seguir em frente. Sentimentos são sinais, não ordens. Quem obedece a toda emoção vira servo de todo gatilho.
Não se esqueça: foco fraco faz com que o problema pequeno pareça enorme. Propósito forte o faz encolher. Quanto mais sentido a sua missão tem, menos o barulho aleatório te move. Quem tem direção tem menos tempo para o caos emocional. O controle começa quando você começa a entender a própria mente – seja nas mesas de futebol de botão, seja na vida. Além de gols e vitórias, para ser campeão brasileiro é preciso autocontrole e domínio de seu estado de espírito. Resta saber quem vai dominar a cena em Recife. A sorte está lançada. Que vença o melhor!
Galeria do Campeões:
| Ano | Cidade | Atleta | Clube |
|---|---|---|---|
| 2008 | Brasília-DF | Alex Lage | Maxwell-RJ |
| 2009 | Curitiba-PR | Daniel Marques | AABB-RJ |
| 2010 | Itajaí-SC | Daniel Marques | AABB-RJ |
| 2011 | Brasília-DF | Almo de Paula | Curitibano-PR |
| 2012 | Curitiba-PR | Regis Martins | America-RJ |
| 2013 | Campo Grande-MS | Alex Lage | Tupi-MG |
| 2014 | Curitiba-PR | Allan Carvalho | Flamengo-RJ |
| 2015 | São Bernardo-SP | Alexandre Aires | Tijuca Tênis-RJ |
| 2016 | Curitiba-PR | Brayner Wertmuller | Flamengo-RJ |
| 2017 | Brasília-DF | Brayner Wertmuller | Fluminense-RJ |
| 2018 | Florianópolis-SC | Brayner Wertmuller | Flamengo-RJ |
| 2019 | Juiz de Fora-MG | Victor Praça | America-RJ |
| 2022 | São Paulo-SP | Ronald Neri | Flamengo-RJ |
| 2023 | Curitiba-PR | Ronald Neri | Flamengo-RJ |
| 2024 | Rio de Janeiro-RJ | Paulo Quartarone | Fluminense-RJ |
| 2025 | Porto Alegre-RS | Gianluca Tocci | Fluminense-RJ |
Biblioteca de "Planeta Dadinho"
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Nascido em Nova Friburgo (RJ) em 1971, mas morando há mais de 30 anos na cidade do Rio de Janeiro, o jornalista esportivo Alysson Cardinali, com passagens pelos jornais O Fluminense, Jornal dos Sports, O Dia e Expresso (Infoglobo), revistas Placar e Invicto, além do canal SporTV, é um apaixonado não só pela profissão, mas pelo futebol de botão. Praticante da regra Dadinho, Alysson é atleta filiado à Federação de Futebol de Mesa do Rio de Janeiro (Fefumerj) e, além de disputar as competições oficiais pelo Brasil, pretende divulgar o esporte e angariar cada vez mais praticantes para perpetuar o futebol de botão entre as futuras gerações.
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cardinali@mundobotonista.com.br







































