Você lembra daquelas goleiras de plástico que vinham junto aos times que comprávamos? Eu respondo: é claro que lembra. Impossível esquecer, né?
Hoje a gente convive com as belíssimas e modernas traves oficiais nos seus vários e vários modelos. Mas aquela parte da infância, onde as traves de plástico embelezavam nosso chão ou nossos “Xalingões” da vida, é insubstituível.
Aquelas goleiras foram muito importantes para quase todos os botonistas, seja para quem estacionou no amadorismo, seja para quem evoluiu ao mais alto nível, pois duvido que esses tenham esquecido suas raízes.
As traves tinham o estilo do antigo Maracanã, com hastes curtas em cada ângulo. Por vezes a gente ficava sem a certeza se a bola havia entrado na gaveta ou explodido no travessão. Lembro até de um lance assim em um jogo do Grêmio, quando, na dúvida, confirmei o gol para, em minha consciência, não soar como um colorado parcial. Consciência tranquila, vida que seguia...
Como tive dezenas daquelas traves, aproveitava para pintar as redes. Quanta canetinha, meu pai! Usava vermelho para o Inter, azul para Cruzeiro e Grêmio, verde e branco para o Palmeiras, preto e branco para outros tantos, enfim. E no final era tanta variedade de cores que por vezes eu acabava utilizando a trave simples, toda branca. Vai entender?
Quando se enfrentavam, por exemplo, Corinthians e Palmeiras, eu, em minha deliciosa inocência, não mensurava que as redes deveriam ser iguais e com as cores do time da casa. Cada time tinha a sua. A parte engraçada era que, após o intervalo, não eram apenas os times que mudavam de lado. As traves mudavam junto.
E aquela abertura de fora a fora, embaixo da rede, que servia para colocar o cabinho de plástico que sustentava o goleiro? Muitas vezes fazíamos gols e a bola “furava a rede”, não é mesmo? Eita, tempo bom!
Mais uma: você lembra daquela pequena pintura preta nos pés das traves do Maracanã? Sim, também fiz isso em algumas das minhas. Eu seguia as tendências, veja só. Sempre ligado.
Mais bacana ainda era quando, nas traves com os pés pintados de preto, o Romário e o Careca faziam gols. E ficava melhor se, na finalização, a bola tocasse nesses mesmos pés antes de entrar. E ficava mais, mas muito mais interessante, quando esses gols eram marcados contra a Argentina...
Não tem jeito, as traves de plástico da infância vão ficar eternizadas para sempre na memória de cada botonista. Mais importantes para uns, menos para outros, mas essa “tatuagem” vai estar sempre em todas as nossas peles.